Com o aumento dos exames de rotina ou para check-up algumas doenças passaram a ser diagnosticas com mais frequência. A ultrassonografia de abdome passou a diagnosticar uma alteração chamada esteatose hepática em um grande número de pessoas, já que esta é a doença hepática mais comum, e muito conhecida como o acúmulo de gordura no fígado. A esteatose hepática é uma das apresentações de um distúrbio do fígado chamado Doença Hepática Gordurosa não Alcoólica, que inclui ainda a esteatohepatite não-alcoólica, que é a forma mais severa destas alterações, podendo progredir para a cirrose hepática, insuficiência hepática e câncer do fígado. Estas alterações gordurasas do fígado atingem de 20 a 30% da população adulta, o que vem crescendo em decorrência do aumento a fatores de risco, como o sedentarismo, obesidade e má dieta.
A prevalência da Doença Hepática Gordurosa não Alcoólica aumenta com a idade, sendo mais comum entre os 40 e 49 anos, mas pode acometer até mesmo pacientes pediátricos, principalmente quando está fortemente associada a obesidade severa. Desta forma, a doença acomete 75% dos obesos, apesar de também acometer pessoas com peso adequado (principalmente os magros com “obesidade abdominal”), o que mostra um componente metabólico individual no desenvolvimento do acúmulo de gordura no fígado. De qualquer forma, a obesidade é um fator de risco independente e associado à progressão da doença para as suas formas graves. Outro fator de risco é a presença de Diabetes, e assim, até 49% dos diabéticos podem apresentar acúmulo de gordura hepática. A hipertensão arterial sistêmica também é um fator independente de risco. Todos estes fatores de risco demonstram claramente que há a necessidade de uma dieta adequada e prática de exercícios físicos regulares para que a doença não se desenvolva.
A esteatose hepática apresenta 1,5% de chances de se tornar uma cirrose hepática, e 1% de possibilidade de se relacionar com o óbito do portador da doença. Por outro lado, a esteatohepatite, que é a forma séria da doença, pode evoluir para a fibrose do fígado em 30 a 50% dos casos, 15% irão apresentar a cirrose hepática e 3% irão progredir para a insuficiência hepática e óbito. Deve-se lembrar ainda que 13% das pessoas com o câncer de fígado apresentam a Doença Hepática Gordurosa não Alcoólica.
A maioria dos pacientes com a Doença Hepática Gordurosa não Alcoólica não apresentam sintomas, e assim, o diagnóstico é feito de forma incidental em um exame de rotina, como os exames laboratoriais e de de imagem. Quando presentes, os sintomas são inespecíficos, sendo os mais comuns um desconforto na parte superior direita do abdome e a fadiga. Ao exame físico, as alterações mais frequentes são a obesidade e o aumento do fígado. Sintomas como a icterícia, ascite (acúmulo de líquido abdominal) e distúrbios neurológicos causados pela insuficiência hepática só ocorrem nos casos mais graves. Em relação aos exames laboratoriais, as principais alterações são o aumento de TGO e TGP, podendo ter um aumento de até 4 vezes do valor normal. O exame de imagem mais comumente utilizado para o diagnóstico da doença é a ultrassonografia de abdome, mas é a Ressonância Magnética quem tem a maior acurácia para quantificar o grau de esteatose hepática.
Atualmente já se acredita que este acúmulo de gordura no fígado pode estar associado a um distúrbio maior, conhecido por Síndrome Metabólica, que é um agrupamento de fatores de risco que aumentam a possibilidade de desenvolvimento doença cardíaca ateroesclerótica, diabetes e insuficiência renal. A Síndome Metabólica se tornou um dos maiores problemas quando se pensa em saúde pública, já que a sua incidência vem aumentando. Por isso, as recomendações de bons hábitos alimentares e de prática esportiva são tão importantes, já que a prevenção ainda é o melhor tratamento para estas alterações do nosso metabolismo.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Refluxo Gastroesofágico e Hérnia de Hiato
Refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo do estômago, como o suco gástrico (ácido) e alimentos, para o esôfago. Quando este refluxo se apresenta de forma intensa e em vários episódios durante o dia, ele é chamado de refluxo gastroesofágico patológico. A doença do refluxo gastroesofágico ocorre devido ao funcionamento precário dos mecanismos anti-refluxo.
O refluxo gastroesofágico apresenta uma grande incidência na população, e pode ou não apresentar sintomas, e estar ou não associado a outras doenças, como a hérnia de hiato. O refluxo gastroesofágico corresponde a 75% das doenças do esôfago.
A hérnia de hiato é o deslizamento do estômago em direção ao esôfago, sendo que esta alteração anatômica ocorre devido à diferença entre a alta pressão dentro do abdome em relação à baixa pressão dentro do tórax. Acredita-se que a incidência de hérnia de hiato seja de 5 casos para cada 1000 habitantes. A presença da hérnia de hiato confirma a fraqueza da musculatura do diafragma, que é responsável pela manutenção do mecanismo anti-refluxo.
Sintomas
Os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico podem ser mínimos, ou mesmo estarem ausentes. Nos casos com queixas mais evidentes, os pacientes referem queimação ou dor no tórax, azia e refluxo de suco gástrico até a boca (regurgitação). Os sintomas tendem a piorar após as refeições e ao se deitar, e alguns pacientes chegam a despertar do sono assustados e engasgados . Desta forma, é muito comum que os pacientes excluam o jantar, ou o realizem muito cedo, evitando assim o refluxo durante a noite.
Alguns pacientes apresentam sintomas atípicos, mas que devem ser lembrados, como rouquidão, tosse seca, asma, sinusite, náusea e vômitos.
Diagnóstico
O diagnóstico da doença do refluxo gastroesofágica é baseado em quatro exames: a endoscopia digestiva alta, a pHmetria esofágica, a manometria esofágica e a esôfago-estômago-duodenografia (Raio X).
A endoscopia digestiva alta é um exame de imagem, em que é possível se visualizar a inflamação do esôfago (esofagite), decorrente da exposição prolongada da mucosa do esôfago ao suco gástrico, assim como a presença de lesões pré-malignas decorrentes desta inflamação crônica. Além disso, avalia a presença de hérnia de hiato. Outra função importante da endoscopia digestiva alta é permitir a realização de bióspsias.
A pHmetria esofágica realiza a medição do pH (acidez) do esôfago durante 24 horas, através de uma pequena sonda introduzida pelo nariz do paciente. Desta forma avalia, de acordo com a acidez do esôfago, o número e a intensidade dos episódios de refluxo durante todo o dia. De acordo com os dados colhidos, é possível dizer com certeza se o paciente é ou não portador de refluxo gastroesofágico patológico.
A manometria esofágica mede a pressão da musculatura da região esôfago-gástrica (esfíncter esofagiano). Esta musculatura exerce um mecanismo anti-refluxo, e quando ocorre a sua fraqueza, o paciente apresenta a predisposição ao refluxo.
A esôfago-estômago-duodenografia é um exame radiológico (Raio X) em que o paciente ingere contraste e é radiografado em diferentes posições. O exame tem como objetivo avaliar o refluxo do contraste ingerido, do estômago para o esôfago.
O diagnóstico da doença do refluxo gastroesofágica é baseado em quatro exames: a endoscopia digestiva alta, a pHmetria esofágica, a manometria esofágica e a esôfago-estômago-duodenografia (Raio X).
A endoscopia digestiva alta é um exame de imagem, em que é possível se visualizar a inflamação do esôfago (esofagite), decorrente da exposição prolongada da mucosa do esôfago ao suco gástrico, assim como a presença de lesões pré-malignas decorrentes desta inflamação crônica. Além disso, avalia a presença de hérnia de hiato. Outra função importante da endoscopia digestiva alta é permitir a realização de bióspsias.
A pHmetria esofágica realiza a medição do pH (acidez) do esôfago durante 24 horas, através de uma pequena sonda introduzida pelo nariz do paciente. Desta forma avalia, de acordo com a acidez do esôfago, o número e a intensidade dos episódios de refluxo durante todo o dia. De acordo com os dados colhidos, é possível dizer com certeza se o paciente é ou não portador de refluxo gastroesofágico patológico.
A manometria esofágica mede a pressão da musculatura da região esôfago-gástrica (esfíncter esofagiano). Esta musculatura exerce um mecanismo anti-refluxo, e quando ocorre a sua fraqueza, o paciente apresenta a predisposição ao refluxo.
A esôfago-estômago-duodenografia é um exame radiológico (Raio X) em que o paciente ingere contraste e é radiografado em diferentes posições. O exame tem como objetivo avaliar o refluxo do contraste ingerido, do estômago para o esôfago.
Refluxo Gastroesogáfico e Câncer de Esôfago
A inflamação crônica do esôfago (esofagite) é causada pelo refluxo de ácido do estômago para o esôfago. Nos casos mais leves, a esofagite é auto-limitada. No entanto, nos casos em que o refluxo é persistente, a mucosa do esôfago tende a passar por modificações para uma melhor adaptação à presença contínua do ácido. Desta forma, a mucosa do esôfago troca de tecido por um mais resistente ao ácido, processo este conhecido como metaplasia, e a este novo tecido dá-se o nome de esôfago de Barret. A confirmação da presença do esôfago de Barret se realiza através da visualização pela endoscopia digestiva, e através e exame anátomo-patológico (biópsia).
O grande problema do esôfago de Barret é que este é um tecido pré-maligno, ou seja, pode evoluir para o câncer de esôfago caso nenhum tratamento seja instituído, e o refluxo persista. Segundo a literatura médica atual, o único método capaz de evitar a progressão do esôfago de Barret para o câncer é a cirurgia para o tratamento do refluxo gastroesofágico.
A inflamação crônica do esôfago (esofagite) é causada pelo refluxo de ácido do estômago para o esôfago. Nos casos mais leves, a esofagite é auto-limitada. No entanto, nos casos em que o refluxo é persistente, a mucosa do esôfago tende a passar por modificações para uma melhor adaptação à presença contínua do ácido. Desta forma, a mucosa do esôfago troca de tecido por um mais resistente ao ácido, processo este conhecido como metaplasia, e a este novo tecido dá-se o nome de esôfago de Barret. A confirmação da presença do esôfago de Barret se realiza através da visualização pela endoscopia digestiva, e através e exame anátomo-patológico (biópsia).
O grande problema do esôfago de Barret é que este é um tecido pré-maligno, ou seja, pode evoluir para o câncer de esôfago caso nenhum tratamento seja instituído, e o refluxo persista. Segundo a literatura médica atual, o único método capaz de evitar a progressão do esôfago de Barret para o câncer é a cirurgia para o tratamento do refluxo gastroesofágico.
Tratamento Clínico
O tratamento clínico está indicado nos casos mais leves e nos que não há a presença de lesões pré-malignas no esôfago. Este tratamento consiste na diminuição da produção de ácido pelo estômago através de remédios que inibam a formação do ácido. Desta forma, ocorre a diminuição da acidez no líquido refluído, e o esôfago tem a chance de apresentar melhora do processo inflamatório.
Uma outra medicação utilizada são as drogas pró-cinéticas. Estas medicações têm como função fortalecer a musculatura do esôfago, além de promover um rápido esvaziamento do estômago, evitando assim, que haja tempo do suco gástrico refluir para o esôfago.
O tratamento clínico está indicado nos casos mais leves e nos que não há a presença de lesões pré-malignas no esôfago. Este tratamento consiste na diminuição da produção de ácido pelo estômago através de remédios que inibam a formação do ácido. Desta forma, ocorre a diminuição da acidez no líquido refluído, e o esôfago tem a chance de apresentar melhora do processo inflamatório.
Uma outra medicação utilizada são as drogas pró-cinéticas. Estas medicações têm como função fortalecer a musculatura do esôfago, além de promover um rápido esvaziamento do estômago, evitando assim, que haja tempo do suco gástrico refluir para o esôfago.
Tratamento Cirúrgico
O tratamento cirúrgico está indicado em pacientes que apresentem lesões esofágicas pré-malignas (esôfago de Barret) decorrentes do refluxo gastroesofágico, pacientes que mantém a sintomatologia do refluxo, mesmo durante o tratamento clínico, e nos pacientes que se tornaram dependentes de remédios por tempo indefinido, ou seja, só ficam livres dos sintomas enquanto estão fazendo uso de medicação. Nos meus pacientes, além de seguir estes critérios de indicação de cirurgia, faço questão de que haja comprovação do refluxo gastroesofágico patológico através da endoscopia digestiva, da pHmetria e da manometria esofágica. A realização destes exames é fundamental para que a melhor técnica cirúrgica seja aplicada em cada caso.
Atualmente, o tratamento é realizado por via vídeo-laparoscópica, ou seja, através da introdução de pinças no abdome do paciente, sem a necessidade de uma grande incisão (corte). Desta forma, os pacientes apresentam uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, podendo retornar mais rapidamente às suas atividades habituais. Além disso, o benefício estético é indiscutível. Os pacientes recebem alta hospitalar em dois a três dias.
A cirurgia consiste no tratamento da hérnia de hiato, com a sutura (pontos) na porção do músculo diafragma que ficou mais fraca. Além disso, é confeccionada uma válvula anti-refluxo com o próprio estômago, tratando definitivamente o refluxo gastroesofágico.
Dr. Fernando Valério
O tratamento cirúrgico está indicado em pacientes que apresentem lesões esofágicas pré-malignas (esôfago de Barret) decorrentes do refluxo gastroesofágico, pacientes que mantém a sintomatologia do refluxo, mesmo durante o tratamento clínico, e nos pacientes que se tornaram dependentes de remédios por tempo indefinido, ou seja, só ficam livres dos sintomas enquanto estão fazendo uso de medicação. Nos meus pacientes, além de seguir estes critérios de indicação de cirurgia, faço questão de que haja comprovação do refluxo gastroesofágico patológico através da endoscopia digestiva, da pHmetria e da manometria esofágica. A realização destes exames é fundamental para que a melhor técnica cirúrgica seja aplicada em cada caso.
Atualmente, o tratamento é realizado por via vídeo-laparoscópica, ou seja, através da introdução de pinças no abdome do paciente, sem a necessidade de uma grande incisão (corte). Desta forma, os pacientes apresentam uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, podendo retornar mais rapidamente às suas atividades habituais. Além disso, o benefício estético é indiscutível. Os pacientes recebem alta hospitalar em dois a três dias.
A cirurgia consiste no tratamento da hérnia de hiato, com a sutura (pontos) na porção do músculo diafragma que ficou mais fraca. Além disso, é confeccionada uma válvula anti-refluxo com o próprio estômago, tratando definitivamente o refluxo gastroesofágico.
Dr. Fernando Valério
terça-feira, 11 de outubro de 2011
'Não quero ser reconhecida', diz mulher que emagreceu com remédio
Dona de casa perdeu 4kg com medicação, mas não quer aparecer.
A dona de casa Marta*, de 68 anos, começou a tomar sibutramina há três meses para intensificar os resultados de uma dieta que está fazendo há um ano. Ao todo, ela perdeu 12 quilos, os últimos quatro com a ajuda do medicamento. “Eu estava fazendo acompanhamento com endocrinologista, e ele recomendou que tomasse o remédio para acelerar a perda de peso”, afirmou.Mesmo com o sucesso do tratamento e usando a medicação com acompanhamento médico, ela prefere não se identificar por medo de ser repreendida por parentes e conhecidos, que não querem que ela use o remédio.
Moradora de Goiânia, ela disse que, com a dieta, mudou sua alimentação e reduziu o consumo de açúcar. “Eu sou uma formiguinha, gosto de comer doce em prato de refeição, não de sobremesa.”
Caminhadas diárias e hidroginástica três vezes por semana passaram a ocupar espaço na agenda da dona de casa. Mas, sem o remédio, ela disse acreditar que não teria conseguido alcançar o peso que tem hoje.
“Eu acho que não teria emagrecido os últimos quilos. Estava muito difícil. Quando a pessoa tem uma ansiedade, é mais difícil controlar o peso sem medicação”, declarou.
Marta afirma que não sentiu nenhum efeito colateral com o uso da sibutramina e avalia que as restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao uso de inibidores de apetite são exageradas. “É certo que eles são uma 'muleta', mas, com acompanhamento médico, não há problemas.”
Feliz com os resultados da combinação dieta–atividade física–sibutramina, Marta estima que já no próximo mês seu médico vai recomendar que ela interrompa ou diminua o consumo do medicamento. “As pessoas têm que usar, não abusar.”
Sem vergonhaPara o endocrinologista Antônio Roberto Chacra, da Unifesp, não há problemas em tomar o remédio – desde que ele seja acompanhado por um médico, como fez Marta. “Há casos em que os remédios se justificam e muitas pessoas precisam deles para perder peso. Não há vergonha nenhuma em tomar emagrecedor. Mas qualquer pessoa que queria tomar, precisa de prescrição e acompanhamento médico”, afirma.
O que a sibutramina faz no cérebro não é exatamente inibir o apetite, mas estimular a saciedade. “Na prática, o paciente fica satisfeito com menos comida”, resume o endocrinologista Walmir Coutinho, pesquisador que participou da maior pesquisa já feita sobre o remédio, que acompanhou pouco menos de 10 mil pacientes durante um período médio de 3 anos e 5 meses.
A nutricionista Karin Honorato, nutricionista da Clínica Funcional, acredita que mesmo quem usa remédios deve ter junto uma alimentação saudável e a atividade física – como fez a dona de casa. “Não basta o médico prescrever remédio, ele deveria exigir que o paciente também faça um acompanhamento para melhorar hábitos de vida: aprendendo a se alimentar, se exercitando mais e com um trabalho psicológico”, diz a especialista. “O medicamento deve ser uma opção no curto prazo e sem retorno.”
A endocrinologista Leila Maria Batista Araújo concorda. “Se não houver mudança de estilo de vida, nenhum tratamento para obesidade vai ter sucesso,” diz ela. “De cem pessoas que vêm ao meu consultório, somente 15 mantêm o peso baixo em longo prazo.”
Sobre a vontade Marta de não aparecer para não ser reconhecida por seus parentes, o psicólogo Carlos Henrique Bohn afirma ser um comportamento comum. “Colegas e familiares às vezes reforçam essa ideia [de que emagrecer com remédios não deve ser valorizado]”, afirma. “Não é tanto uma questão de vergonha,” afirma. “Se ela falar que ela tomou a medicação, essa valorização [do esforço] é muito menor.”
Para ele, no entanto, desde que a pessoa esteja usando uma medicação permitida pela Anvisa e com acompanhamento médico, ela não tem nada para se envergonhar.
'Ser gordo parece defeito de fábrica', diz mulher que deixou emagrecedor
Ângela Campos chegou a tomar dois remédios, mas hoje busca saúde.
Ângela Maria do Couto Campos já fez todo tipo de dietas e gastou muito dinheiro com remédios para tentar emagrecer. “Ser gordo parece defeito de fabricação”, disse a comerciante que mora em Belo Horizonte e preferiu não comentar sobre o peso atual. Aos 43 anos, Ângela afirma que já não se preocupa tanto com o corpo como na juventude. “Hoje, olho para o espelho e penso: ‘quer, quer; não quer, não quer!’ Já curti muito a vida”, diz.Após sessões de terapia, Ângela diz que passou a acreditar que “remédio não resolve nada”. Nesta segunda (10), o governo federal publicou no "Diário Oficial da União" a proibição de três emagrecedores e a exigência de maior controle sobre a sibutramina.
“Eu respeito minha condição física. Eu sou gorda. Isso é uma agressão, querer ser o que eu não sou. Não sou o tipo de pessoa que nasceu magra e foi engordando por algum motivo. Meu biotipo é de gordinha. Quem nasce gordo e quer ser magro é contra a lei da natureza. Não adianta querer ser Barbie”, confessou.
Para manter a saúde em dia, ela caminha durante cerca de uma hora quatro vezes por semana. “Se emagrecer, é lucro”, falou. A comerciante, que é divorciada e tem dois filhos, diz que não sente necessidade de acompanhamento médico, nem de um nutricionista.
“Quando o gordo se assume, começa a fazer refeições regularmente e a saúde melhora. Você começa a se policiar, não o remédio”. Ângela diz que, no caso dela, não vale mais a pena pagar pelos serviços destes profissionais. “Não vou mais a médico porque sei de cor os regimes”, disse.
Para a comerciante, a inquietação com a aparência começou cedo. Ela conta que tem seis irmãos e que eles sempre foram divididos em grupos de gordos e magros. “Todo mundo pensava: ‘coitados dos gordinhos’”, contou.
Aos 20 anos, quando conheceu o ex-marido, Ângela tinha acabado de perder 30 quilos em quatro meses. O “milagre” foi um tratamento de injeções intramusculares, que ficou famoso por volta de 1978 na capital mineira. “Com esse eu emagreci, fiquei linda, puro osso”, disse.
Na época, Ângela comparecia ao consultório e tomava uma injeção diária de uma substância que ela desconhecia durante um mês. “Eu ia lá, ficava 15 minutos e ia embora. A sala ficava lotada”, relembrou. “A injeção que ele dava no músculo queimava gorduras. Era caro, mas emagreci. Era o boom da época. Se ele estivesse vivo [o médico] eu iria lá de novo”, confessou.
Você fica linda, mas fica uma linda triste. Você cabe em qualquer roupa, mas sem vontade de viver”"
Ângela Maria, 43 anos, sobre
emagrecer com remédios
emagrecer com remédios
Já ao experimentar a dieta da proteína, Ângela conseguiu perder de cinco a seis quilos, mas também não aprovou o método. “Sentia uma fraqueza muito grande. Ficava nervosa. Não podia comer carboidrato, então comia carne, carne, carne”, diz.
Depois destas tentativas, a comerciante recorreu a remédios e já chegou a tomar sete comprimidos com vários compostos manipulados em um dia. “É uma forma rápida de emagrecer, é o milagre”, disse. No início, ela ficou satisfeita com o efeito. “Você olha para a comida e ela não olha para você”, completou. Após perder alguns quilos, ela conta que começou a “pensar com cabeça de magro” e que, além de voltar a engordar, passou a gastar muito dinheiro com acessórios que não podia usar antes. “O consumismo é muito grande. O magro pode comer tudo, comprar roupas. Qual gordo não quer fazer isto: entrar na loja e ver que a roupa serve?”, questionou.
Ângela diz que já chegou a tomar os remédios femproporex e sibutramina ao mesmo tempo. “O médico fazia uma receita no meu nome e outra no nome do meu irmão”, relatou. Segundo ela, a longo prazo, o resultado dos medicamentos foi negativo, pois trouxe sintomas de depressão. “Você seca, você fica linda, mas fica uma linda triste. Você cabe em qualquer roupa, mas sem vontade de viver”, observou.
Ela diz que, durante uma destas crises depressivas, acabou se divorciando. “Um problema simples se torna terrível. Não parava de chorar um minuto. Na hora em que você percebe, começa a ver que tem força para vencer. Na terapia, entendi que o remédio não faz milagre”, disse.
Além disso, Ângela contou que a cada vez que ia ao médico, voltava com mais caixas de medicamentos. “Você vai ao médico e ele pergunta: você está se sentindo bem? Aí você fala que não está conseguindo dormir, que está nervosa, com o intestino preso... aí, o médico joga outros remédios”.
Para ela, a restrição a remédios emagrecedores não vai ser eficiente. “O gordo vai achar em outro lugar. Este mercado é muito lucrativo”, falou.
Atualmente, Ângela se diz menos insatisfeita com a aparência. “Sou vaidosa, gosto de estar bonita, chamar a atenção. Não me escondo no ‘gordo’. Estou com 43 anos, mas até me acho gostosinha”, brincou.
Proibição não funciona
Para a nutricionista Cynthia Antonaccio, o caso de Ângela mostra como dietas baseadas na proibição não trazem efeitos duradouros. ”A pessoa pode até perder peso, mas não aprende a comer”, diz a especialista, diretora do Grupo Equilibrium, voltado para saúde e nutrição. “Não existe alimento bom ou ruim, o que importa é o conteúdo total da dieta.”
Ao pensar sobre as tentativas para emagrecer, Ângela mostra que não acredita em milagre. Um diagnóstico parecido com o da nutricionista. “A dica é: já que você testou todas as dietas, desista. É preciso ter disciplina para comer”, afirma a especialista. “Estabelecer horários para a alimentação, não comer toda hora, colocar porções adequadas.”
Os remédios também não podem servir de fórmula “mágica” para reduzir o peso. “Não sou contra os medicamentos, mas hoje o uso é muito abusivo, tem gente que sai com receita após 10 minutinhos de consulta”, diz. “O remédio é algo para ser usado temporariamente e junto com as técnicas de nutrição, não vai nunca substituir a boa alimentação.”
Uma alimentação ideal deve contar com horários regulares de comida. “É sempre bom tentar manter a rotina de café-da-manhã, almoço e jantar, com lanchinhos entre eles”, explica Antonaccio. “As pessoas precisam saber fazer escolhas mais adequadas e a consumir grupos de alimentos menos calóricos. Curtir uma boa salada, uma boa fruta.”
O médico Antonio Roberto Chacra, professor de endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), tem uma avaliação parecida sobre as dietas, como a da Lua. “Muitas vezes, aparecem dietas malucas com o mesmo princípio, que é comer menos uma vez por semana. Você emagrece, mas recupera o peso facilmente”, diz ele.
Chacra afirma que a depressão que Ângela sentiu com os remédios é um efeito conhecido do medicamento. “Depressão é normal, não só como efeito colateral. Ela pode ser também a causa da obesidade”, diz ele.
Para ele, os emagrecedores ajudam, sim, a perder peso – desde que sejam prescritos por um médico de confiança seguindo critérios rigorosos. Além disso, não é para tomar o remédio para sempre. A medicação deve ser apenas para dar um primeiro impulso – depois, o próprio paciente precisa aprender a controlar sua alimentação. “Há casos em que os remédios se justificam, sem dúvida. Mas têm que ser prescritos pelo endocrinologista, com critério. Não pode ficar tomando direto,” afirma.
Para ele, a reeducação alimentar é fundamental. “O efeito passa depois que a pessoa para de tomar o remédio, então ela sempre quer voltar e acaba viciando,” afirma. “A prevenção passa pela mudança do estilo de vida.”
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Metade das pessoas desiste da academia entre o 3º e 5º mês de aula
Metade das pessoas costuma desistir de praticar exercícios em academias, clubes e quadras entre o terceiro e o quinto mês de aula. Até o sexto mês, esse número chega a 65%.
Apenas 4% da população brasileira faz exercícios orientados nesses locais. Apesar disso, o número de academias cresce: em 2006, o país tinha 10 mil; hoje são mais de 25 mil.
Mas você não precisa estar matriculado em nada para começar a se mexer.
Comece devagar e saiba seus limites na hora de fazer uma atividade física
São vários os motivos que levam as pessoas a iniciar uma atividade física. A maioria realmente quer perder peso, mas também há as que pretendem ganhar massa muscular, força, resistência e flexibilidade.
Outros, além de melhorar o condicionamento físico, gostam da sensação de bem-estar que os exercícios proporcionam. E, por fim, existe o grupo dos hipertensos, diabéticos, cardíacos e indivíduos com colesterol e triglicérides altos, que buscam uma academia ou um lugar ao ar livre para melhorar a qualidade de vida.
Os músculos têm a cor vermelha porque são muito irrigados por sangue, que carrega oxigênio e nutrientes. Essa alta vascularização garante aos músculos um maior potencial de recuperação e regeneração se comparados aos tendões e ossos, que são brancos.
O melhor lugar para começar a praticar exercícios é dentro de casa mesmo. A dica vale principalmente para quem não tem tempo ou condições financeiras de frequentar uma academia.
Se você sentir dor após algum movimento, pare. Exercício que dói não faz bem para a saúde, nem na hora, nem depois. A dor pode ser um sinal de que você está exigindo demais do seu corpo, exagerando na carga ou na intensidade do exercício.
É bem diferente do incômodo que se pode ter após uma sessão de alongamento ou do cansaço decorrente de uma atividade. Portanto, fique atento à resposta que seu organismo dá.
Quando estiver seguro, faça exercícios coletivos, que são um incentivo a mais para quem está em busca de uma vida ativa. Isso porque eles têm um ritmo a ser seguido e proporcionam uma maior socialização. Você pode conhecer pessoas, fazer amigos e ser incentivado a continuar saudável.
Os exercícios de baixo impacto também são recomendadíssimos para quem está acima do peso e precisa se movimentar. E é importante variar as atividades, principalmente no começo, para que você não se canse e seu corpo não se acomode. Quanto mais músculos a atividade mover e quanto mais prazer ela trouxer, melhores resultados terá.
O pilates é uma mistura de conceitos e técnicas que promovem o fortalecimento e o alongamento dos músculos, além de ser um exercício completo, porque envolve a correção postural e a coordenação da respiração.
A atividade é indicada para pessoas acima de 9 anos e traz benefícios tanto para quem é sedentário quanto para os atletas. Além disso, tem vantagens para os idosos, pois recupera a elasticidade do corpo e previne o encurtamento dos músculos.
Evite falar durante o exercício para não atrapalhar respiração.
Para quem quer deixar de caminhar e começar a correr, o recomendado é o trote, que é o meio-termo entre os dois. O próximo passo, então, é a corrida.
A respiração é muito importante para não sentir dor na hora da atividade. Indivíduos que passam muito tempo parados podem ter um desconforto maior no começo. Por isso, é preciso ir com calma.
A melhor idade para ganhar massa muscular é até os 30 anos de idade, mas todas as faixas etárias precisam se mexer.
Andar ou pedalar ao ar livre é melhor que em ambientes fechados. E, mais do que ter um tênis adequado, as pessoas precisam fazer fortalecimento muscular. Agachamentos e exercícios adutores e abdutores são essenciais para evitar lesões.
Alongamentos também são necessários para aumentar a flexibilidade e evitar o encurtamento dos músculos.
Atividades de alta intensidade e curta duração garantem um alto gasto calórico e são indicadas em programas de emagrecimento. Mas esse tipo de exercício é bom para pessoas já treinadas.
Apenas 4% da população brasileira faz exercícios orientados nesses locais. Apesar disso, o número de academias cresce: em 2006, o país tinha 10 mil; hoje são mais de 25 mil.
Mas você não precisa estar matriculado em nada para começar a se mexer.
Comece devagar e saiba seus limites na hora de fazer uma atividade física
São vários os motivos que levam as pessoas a iniciar uma atividade física. A maioria realmente quer perder peso, mas também há as que pretendem ganhar massa muscular, força, resistência e flexibilidade.
Outros, além de melhorar o condicionamento físico, gostam da sensação de bem-estar que os exercícios proporcionam. E, por fim, existe o grupo dos hipertensos, diabéticos, cardíacos e indivíduos com colesterol e triglicérides altos, que buscam uma academia ou um lugar ao ar livre para melhorar a qualidade de vida.
Os músculos têm a cor vermelha porque são muito irrigados por sangue, que carrega oxigênio e nutrientes. Essa alta vascularização garante aos músculos um maior potencial de recuperação e regeneração se comparados aos tendões e ossos, que são brancos.
O melhor lugar para começar a praticar exercícios é dentro de casa mesmo. A dica vale principalmente para quem não tem tempo ou condições financeiras de frequentar uma academia.
Se você sentir dor após algum movimento, pare. Exercício que dói não faz bem para a saúde, nem na hora, nem depois. A dor pode ser um sinal de que você está exigindo demais do seu corpo, exagerando na carga ou na intensidade do exercício.
É bem diferente do incômodo que se pode ter após uma sessão de alongamento ou do cansaço decorrente de uma atividade. Portanto, fique atento à resposta que seu organismo dá.
Quando estiver seguro, faça exercícios coletivos, que são um incentivo a mais para quem está em busca de uma vida ativa. Isso porque eles têm um ritmo a ser seguido e proporcionam uma maior socialização. Você pode conhecer pessoas, fazer amigos e ser incentivado a continuar saudável.
Os exercícios de baixo impacto também são recomendadíssimos para quem está acima do peso e precisa se movimentar. E é importante variar as atividades, principalmente no começo, para que você não se canse e seu corpo não se acomode. Quanto mais músculos a atividade mover e quanto mais prazer ela trouxer, melhores resultados terá.
O pilates é uma mistura de conceitos e técnicas que promovem o fortalecimento e o alongamento dos músculos, além de ser um exercício completo, porque envolve a correção postural e a coordenação da respiração.
A atividade é indicada para pessoas acima de 9 anos e traz benefícios tanto para quem é sedentário quanto para os atletas. Além disso, tem vantagens para os idosos, pois recupera a elasticidade do corpo e previne o encurtamento dos músculos.
Evite falar durante o exercício para não atrapalhar respiração.
Para quem quer emagrecer, o ideal é praticar o exercício durante 45 minutos a 1 hora.
A melhor hora para se movimentar é quando a pessoa puder. O importante é manter esse compromisso e segui-lo à risca.Para quem quer deixar de caminhar e começar a correr, o recomendado é o trote, que é o meio-termo entre os dois. O próximo passo, então, é a corrida.
A respiração é muito importante para não sentir dor na hora da atividade. Indivíduos que passam muito tempo parados podem ter um desconforto maior no começo. Por isso, é preciso ir com calma.
A melhor idade para ganhar massa muscular é até os 30 anos de idade, mas todas as faixas etárias precisam se mexer.
Andar ou pedalar ao ar livre é melhor que em ambientes fechados. E, mais do que ter um tênis adequado, as pessoas precisam fazer fortalecimento muscular. Agachamentos e exercícios adutores e abdutores são essenciais para evitar lesões.
Alongamentos também são necessários para aumentar a flexibilidade e evitar o encurtamento dos músculos.
Atividades de alta intensidade e curta duração garantem um alto gasto calórico e são indicadas em programas de emagrecimento. Mas esse tipo de exercício é bom para pessoas já treinadas.
Homem nasce de novo após coração voltar a funcionar
O lado esquerdo do coração de Sérgio parou e ele só continuou vivo por causa de uma máquina. Aos poucos, o órgão voltou a funcionar sozinho, um fato considerado raro pela medicina.
No dia 23 de maio, Sérgio, 48 anos, deu entrada em um hospital no Rio para tratar de uma crise nos rins. Na sala de cirurgia, os médicos descobriram que ele também tinha um problema grave no coração. Foi transferido para o Instituto Nacional de Cardiologia e o que seriam, a princípio, apenas 20 dias de internação viraram quatro meses e meio.
“Eu achava que eu ia morrer”, diz.
O lado esquerdo do coração parou de funcionar. Sérgio só continuou vivo por causa de uma máquina. “O sangue sai do coração, passa por um aparelho e é bombeado de volta ao corpo, permitindo, então, que os órgãos recebam o sangue com oxigênio. Ele fica para fora do corpo, em uma posição mais ou menos semelhante a que eu seguro aqui”, explica o cirurgião cardíaco Alexandre Siciliano.
“Aquele coração pendurado ali, saber que eu estava vivendo através de um aparelho, isso eu não vou esquecer nunca. Eu tinha o maior cuidado com o coração, inclusive até com o doutor, eu falei, cara, não mexe nisso não, isso aí é minha vida”, lembra o comerciante Sérgio Genaro.
Geralmente, o equipamento é usado em pacientes que esperam por um transplante de coração, por um prazo de até seis meses. Sérgio estava prestes a entrar na fila, mas nesse meio tempo aconteceu um fato que a medicina considera raro: o coração dele voltou a funcionar por conta própria.
“Menos de 5% ou talvez 5% dos corações que são submetidos ao implante desse tipo de dispositivo têm esse desfecho de recuperação”, explica o cirurgião Alexandre Siciliano.
O caso de Sérgio é o primeiro a ser registrado no Brasil. “Eles diminuíam o fluxo sanguíneo do aparelho para ver como o coração reagia. Eu já não tinha dúvida, eu vi que era questão de tempo”, lembra a irmã de Sérgio Ana Lúcia Genaro.
Há quase dois meses, a máquina foi completamente desconectada do corpo de Sérgio. “Foi ótimo isso acontecer porque quantos outros pacientes virão e a gente fica na expectativa que também vão sair de lá com o coração dele próprio”, diz Ana Lúcia.
Infelizmente, essa tecnologia que começou a ser desenvolvida nos anos 70, ainda é cara. Cada aparelho custa em torno de R$ 180 mil e existem poucos disponíveis no Brasil. Sérgio teve sorte de estar no lugar certo, na hora certa. “Sérgio está tendo uma evolução muito favorável, os exames laboratoriais dele mostram as funções orgânicas todas normalizadas. A gente vai passar por um período agora de reabilitação, fisioterapia”, diz o cirurgião.
“Agora é vida nova, quero passear, quero sair, quero esquecer um pouco de hospital, quero aproveitar meu coração o máximo possível para ele me proporcionar bons momentos”, espera Sérgio.
Bons momentos como torcer pelo time do coração: “Desde pequenininho eu gosto do Vasco. O que eu mais queria agora é ter uma recordação do Vasco. Eu queria uma camisa autografada por todos os jogadores”, diz Sérgio.
O Sérgio disse que o coração dele aguenta, o médico também. Então, o Fantástico foi até o estádio do Vasco. Os jogadores estão treinando. E olha o que o Fantástico conseguiu: a camisa do time do coração do Sérgio. E agora, a segunda vontade dele, que é ter os autógrafos dos jogadores.
“Fiquei muito comovido com a sua história”, diz o meia Felipe.
“Eu acho que foi só lembrar do Vasco que o coração com certeza voltou a bater”, brinca o atacante Alecsandro.
“Que ele possa comemorar mais um título, se Deus quiser”, diz o goleiro Fernando Prass.
“Que esse coração possa bater bastante forte aí com nosso Vascão”, diz o meia Diego Souza.
“É o meu time do coração”, diz Sérgio, emocionado ao receber o presente. Ele deve receber alta do hospital na segunda-feira (10).
No dia 23 de maio, Sérgio, 48 anos, deu entrada em um hospital no Rio para tratar de uma crise nos rins. Na sala de cirurgia, os médicos descobriram que ele também tinha um problema grave no coração. Foi transferido para o Instituto Nacional de Cardiologia e o que seriam, a princípio, apenas 20 dias de internação viraram quatro meses e meio.
“Eu achava que eu ia morrer”, diz.
O lado esquerdo do coração parou de funcionar. Sérgio só continuou vivo por causa de uma máquina. “O sangue sai do coração, passa por um aparelho e é bombeado de volta ao corpo, permitindo, então, que os órgãos recebam o sangue com oxigênio. Ele fica para fora do corpo, em uma posição mais ou menos semelhante a que eu seguro aqui”, explica o cirurgião cardíaco Alexandre Siciliano.
“Aquele coração pendurado ali, saber que eu estava vivendo através de um aparelho, isso eu não vou esquecer nunca. Eu tinha o maior cuidado com o coração, inclusive até com o doutor, eu falei, cara, não mexe nisso não, isso aí é minha vida”, lembra o comerciante Sérgio Genaro.
Geralmente, o equipamento é usado em pacientes que esperam por um transplante de coração, por um prazo de até seis meses. Sérgio estava prestes a entrar na fila, mas nesse meio tempo aconteceu um fato que a medicina considera raro: o coração dele voltou a funcionar por conta própria.
“Menos de 5% ou talvez 5% dos corações que são submetidos ao implante desse tipo de dispositivo têm esse desfecho de recuperação”, explica o cirurgião Alexandre Siciliano.
O caso de Sérgio é o primeiro a ser registrado no Brasil. “Eles diminuíam o fluxo sanguíneo do aparelho para ver como o coração reagia. Eu já não tinha dúvida, eu vi que era questão de tempo”, lembra a irmã de Sérgio Ana Lúcia Genaro.
Há quase dois meses, a máquina foi completamente desconectada do corpo de Sérgio. “Foi ótimo isso acontecer porque quantos outros pacientes virão e a gente fica na expectativa que também vão sair de lá com o coração dele próprio”, diz Ana Lúcia.
Infelizmente, essa tecnologia que começou a ser desenvolvida nos anos 70, ainda é cara. Cada aparelho custa em torno de R$ 180 mil e existem poucos disponíveis no Brasil. Sérgio teve sorte de estar no lugar certo, na hora certa. “Sérgio está tendo uma evolução muito favorável, os exames laboratoriais dele mostram as funções orgânicas todas normalizadas. A gente vai passar por um período agora de reabilitação, fisioterapia”, diz o cirurgião.
“Agora é vida nova, quero passear, quero sair, quero esquecer um pouco de hospital, quero aproveitar meu coração o máximo possível para ele me proporcionar bons momentos”, espera Sérgio.
Bons momentos como torcer pelo time do coração: “Desde pequenininho eu gosto do Vasco. O que eu mais queria agora é ter uma recordação do Vasco. Eu queria uma camisa autografada por todos os jogadores”, diz Sérgio.
O Sérgio disse que o coração dele aguenta, o médico também. Então, o Fantástico foi até o estádio do Vasco. Os jogadores estão treinando. E olha o que o Fantástico conseguiu: a camisa do time do coração do Sérgio. E agora, a segunda vontade dele, que é ter os autógrafos dos jogadores.
“Fiquei muito comovido com a sua história”, diz o meia Felipe.
“Eu acho que foi só lembrar do Vasco que o coração com certeza voltou a bater”, brinca o atacante Alecsandro.
“Que ele possa comemorar mais um título, se Deus quiser”, diz o goleiro Fernando Prass.
“Que esse coração possa bater bastante forte aí com nosso Vascão”, diz o meia Diego Souza.
“É o meu time do coração”, diz Sérgio, emocionado ao receber o presente. Ele deve receber alta do hospital na segunda-feira (10).
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Saiba como o álcool afeta seu corpo

Especialistas dizem que não existe limite seguro para o consumo, e recomendam que autoridades conscientizem população sobre riscos.
Os efeitos do consumo do álcool a curto prazo são conhecidos: ressacas, cansaço, má aparência.
A longo prazo, a ingestão da substância está associada a várias condições, entre elas o câncer da mama, câncer oral, doenças cardíacas, derrames e cirrose hepática, entre outras.
Pesquisas também associaram o consumo de álcool em doses elevadas à problemas de saúde mental, perda de memória e diminuição da fertilidade.
Entretanto, estudos também concluíram que, ingerida com moderação, a substância pode ter um efeito benéfico, ajudando a proteger o coração ao elevar os índices de bom colesterol no organismo e impedir a formação de coágulos sanguíneos.
As mensagens são contraditórias, levando especialistas ouvidos pela BBC a recomendar que as autoridades sejam mais claras em suas campanhas de conscientização.
Não existe nível absolutamente seguro de consumo de álcool, dizem. Mas se você quer beber, não exceda 21 unidades por semana para homens e 14 unidades por semana para mulheres.
Problemas Cardíacos e CâncerA ingestão de mais de três copos de bebida alcoólica por dia prejudica o coração.
O consumo excessivo, especialmente a longo prazo, pode resultar em pressão alta, cardiomiopatia alcoólica, falência cardíaca e derrames, além de aumentar a circulação de gorduras no organismo.
As associações entre o consumo de álcool e o câncer também são bastante conhecidas.
Um estudo publicado no British Medical Journal no ano passado concluiu que o consumo de álcool provoca pelo menos 13 mil casos de câncer por ano na Grã-Bretanha, nove mil em homens e quatro mil em mulheres.
O efeito negativo do álcool para a saúde em geral pode estar associado a uma substância conhecida como acetaldeído - produto em que o álcool é transformado após ser digerido pelo organismo.
Essa substância é tóxica e experimentos demonstraram que ela danifica o DNA.
O cientista KJ Patel, que trabalha no laboratório de biologia molecular do Medical Research Council, na Grã-Bretanha, vem pesquisando os efeitos tóxicos do álcool.
'Não há a ocorrência de uma célula cancerosa a não ser que o DNA seja alterado. Quando você bebe, o acetaldeído está corrompendo o DNA da vida e colocando você no caminho para o câncer'.
Imunidade e FertilidadeUm relatório publicado recentemente na revista científica Bio Med Central (BMC) Innunology revelou que o álcool afeta a capacidade do organismo de combater infecções virais.
E estudos sobre fertilidade indicam que mesmo o consumo moderado da substância diminui a probabilidade de uma mulher conceber. Nos homens, o consumo excessivo diminui a qualidade e quantidade de esperma.
KJ Patel acaba de completar uma investigação sobre os efeitos tóxicos do álcool sobre ratos.
Seu estudo indica que uma única dose excessiva de álcool durante a gravidez pode ser suficiente para provocar danos permanentes sobre o genoma do feto.
A Síndrome Alcoólica Fetal, segundo Patel, 'pode resultar em crianças com danos sérios, nascidas com anomalias na cabeça e face e com deficiências mentais'.
FígadoO médico Nick Sheron, que comanda a unidade de fígado do Southampton General Hospital, na Inglaterra, disse que os mecanismos por meio dos quais o álcool prejudica o organismo não são claros.
'A toxicidade do álcool é complexa, mas sabemos que há um relacionamento próximo e claro'.
Quanto maior a ingestão semanal, maior o dano ao fígado e esse efeito aumenta exponencialmente em alguém que bebe de seis a oito garrafas de vinho - ou acima disso - nesse período.
Segundo Sharon, nas últimas duas ou três décadas, houve um aumento de 500% no número de mortes por doenças do fígado na Grã-Bretanha. Dessas, 85% foram provocadas pelo álcool. O ritmo desse crescimento começou a diminuir, mas muito recentemente.
'O álcool tem um impacto maior sobre a saúde do que o fumo porque ele mata em uma idade menor'. Segundo o especialista, doenças do fígado provocadas pelo consumo de álcool matam por volta dos 40 anos de idade.
Álcool x heroína, crack e cocaínaO consumo de álcool é, cada vez mais, um problema de saúde pública.
No início do ano, o serviço nacional de saúde britânico, NHS, anunciou que internações associadas ao consumo de álcool na Grã-Bretanha atingiram nível recorde em 2010.
Houve mais de um milhão de internações, em comparação com 945.500 em 2008-2009 e 510.800 em 2002-2003.
Quase dois terços dos pacientes eram homens.
Segundo a entidade beneficente britânica Álcool Concern, há estimativas de que o número de internações possa alcançar 1,5 milhão por volta de 2015.
Quando são considerados os perigos para o indivíduo e a sociedade como um todo, o álcool é mais prejudicial do que a heroína e o crack - concluiu um estudo publicado no ano passado na revista científica The Lancet.
O estudo, feito pelo Comitê Científico Independente sobre Drogas, órgão científico independente que estuda as drogas e seus efeitos, concluiu também que o álcool é três vezes mais prejudicial do que a cocaína e o tabaco porque é usado de forma muito mais ampla.
Consumo recomendadoA diretora de pesquisas do Institute of Alcohol Studies, Katherine Brown, disse que as orientações atuais sobre o consumo de álcool e a forma como essas diretrizes são comunicadas à população podem estar contribuindo para a desinformação do público.
'Precisamos ser cuidadosos quando sugerimos que existe um nível 'seguro' de ingestão. Na verdade, precisamos explicar que existem riscos associados ao consumo do álcool e que quanto menos você bebe, menor seu risco de desenvolver problemas de saúde'.
Para a especialista, é preciso mudar a percepção de que 'beber regularmente é uma prática normal e livre de riscos'.
O médico Nick Sheron concorda.
'Não existe um nível seguro. As pessoas apreciam um drink, mas precisam aceitar que existem riscos e benefícios'.
A longo prazo, a ingestão da substância está associada a várias condições, entre elas o câncer da mama, câncer oral, doenças cardíacas, derrames e cirrose hepática, entre outras.
Pesquisas também associaram o consumo de álcool em doses elevadas à problemas de saúde mental, perda de memória e diminuição da fertilidade.
Entretanto, estudos também concluíram que, ingerida com moderação, a substância pode ter um efeito benéfico, ajudando a proteger o coração ao elevar os índices de bom colesterol no organismo e impedir a formação de coágulos sanguíneos.
As mensagens são contraditórias, levando especialistas ouvidos pela BBC a recomendar que as autoridades sejam mais claras em suas campanhas de conscientização.
Não existe nível absolutamente seguro de consumo de álcool, dizem. Mas se você quer beber, não exceda 21 unidades por semana para homens e 14 unidades por semana para mulheres.
Problemas Cardíacos e CâncerA ingestão de mais de três copos de bebida alcoólica por dia prejudica o coração.
O consumo excessivo, especialmente a longo prazo, pode resultar em pressão alta, cardiomiopatia alcoólica, falência cardíaca e derrames, além de aumentar a circulação de gorduras no organismo.
As associações entre o consumo de álcool e o câncer também são bastante conhecidas.
Um estudo publicado no British Medical Journal no ano passado concluiu que o consumo de álcool provoca pelo menos 13 mil casos de câncer por ano na Grã-Bretanha, nove mil em homens e quatro mil em mulheres.
O efeito negativo do álcool para a saúde em geral pode estar associado a uma substância conhecida como acetaldeído - produto em que o álcool é transformado após ser digerido pelo organismo.
Essa substância é tóxica e experimentos demonstraram que ela danifica o DNA.
O cientista KJ Patel, que trabalha no laboratório de biologia molecular do Medical Research Council, na Grã-Bretanha, vem pesquisando os efeitos tóxicos do álcool.
'Não há a ocorrência de uma célula cancerosa a não ser que o DNA seja alterado. Quando você bebe, o acetaldeído está corrompendo o DNA da vida e colocando você no caminho para o câncer'.
Imunidade e FertilidadeUm relatório publicado recentemente na revista científica Bio Med Central (BMC) Innunology revelou que o álcool afeta a capacidade do organismo de combater infecções virais.
E estudos sobre fertilidade indicam que mesmo o consumo moderado da substância diminui a probabilidade de uma mulher conceber. Nos homens, o consumo excessivo diminui a qualidade e quantidade de esperma.
KJ Patel acaba de completar uma investigação sobre os efeitos tóxicos do álcool sobre ratos.
Seu estudo indica que uma única dose excessiva de álcool durante a gravidez pode ser suficiente para provocar danos permanentes sobre o genoma do feto.
A Síndrome Alcoólica Fetal, segundo Patel, 'pode resultar em crianças com danos sérios, nascidas com anomalias na cabeça e face e com deficiências mentais'.
FígadoO médico Nick Sheron, que comanda a unidade de fígado do Southampton General Hospital, na Inglaterra, disse que os mecanismos por meio dos quais o álcool prejudica o organismo não são claros.
'A toxicidade do álcool é complexa, mas sabemos que há um relacionamento próximo e claro'.
Quanto maior a ingestão semanal, maior o dano ao fígado e esse efeito aumenta exponencialmente em alguém que bebe de seis a oito garrafas de vinho - ou acima disso - nesse período.
Segundo Sharon, nas últimas duas ou três décadas, houve um aumento de 500% no número de mortes por doenças do fígado na Grã-Bretanha. Dessas, 85% foram provocadas pelo álcool. O ritmo desse crescimento começou a diminuir, mas muito recentemente.
'O álcool tem um impacto maior sobre a saúde do que o fumo porque ele mata em uma idade menor'. Segundo o especialista, doenças do fígado provocadas pelo consumo de álcool matam por volta dos 40 anos de idade.
Álcool x heroína, crack e cocaínaO consumo de álcool é, cada vez mais, um problema de saúde pública.
No início do ano, o serviço nacional de saúde britânico, NHS, anunciou que internações associadas ao consumo de álcool na Grã-Bretanha atingiram nível recorde em 2010.
Houve mais de um milhão de internações, em comparação com 945.500 em 2008-2009 e 510.800 em 2002-2003.
Quase dois terços dos pacientes eram homens.
Segundo a entidade beneficente britânica Álcool Concern, há estimativas de que o número de internações possa alcançar 1,5 milhão por volta de 2015.
Quando são considerados os perigos para o indivíduo e a sociedade como um todo, o álcool é mais prejudicial do que a heroína e o crack - concluiu um estudo publicado no ano passado na revista científica The Lancet.
O estudo, feito pelo Comitê Científico Independente sobre Drogas, órgão científico independente que estuda as drogas e seus efeitos, concluiu também que o álcool é três vezes mais prejudicial do que a cocaína e o tabaco porque é usado de forma muito mais ampla.
Consumo recomendadoA diretora de pesquisas do Institute of Alcohol Studies, Katherine Brown, disse que as orientações atuais sobre o consumo de álcool e a forma como essas diretrizes são comunicadas à população podem estar contribuindo para a desinformação do público.
'Precisamos ser cuidadosos quando sugerimos que existe um nível 'seguro' de ingestão. Na verdade, precisamos explicar que existem riscos associados ao consumo do álcool e que quanto menos você bebe, menor seu risco de desenvolver problemas de saúde'.
Para a especialista, é preciso mudar a percepção de que 'beber regularmente é uma prática normal e livre de riscos'.
O médico Nick Sheron concorda.
'Não existe um nível seguro. As pessoas apreciam um drink, mas precisam aceitar que existem riscos e benefícios'.
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